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25 de maio de 2020

Catavento é parte da La Jolla Energy Conference

Durante o debate, Clarissa Lins abordou os impactos da crise atual sobre o setor de O&G brasileiro e transição energética

No dia 19 de maio, Clarissa Lins, sócia-fundadora da Catavento, se uniu a Décio Oddone e Elizabeth Urbanas no painel “Brazil Energy Update – Production Cuts, Natural Gas, Power Market and Policy Developments and Brazil-US Energy Forum”. A discussão fez parte da XXIX La Jolla Energy Conference 2020, organizada pelo Institute of the Americas e pelo CEBRI.

Quais seriam os impactos da crise atual na indústria de óleo e gás brasileira? O pré-sal se mantém competitivo? Como os investimentos irão responder? A transição energética será postergada? Abaixo, será possível encontrar as principais mensagens obtidas durante a discussão.

 

Setor de óleo e gás: relevância e impactos

Clarissa sinalizou que o setor de energia é chave para fornecer energia acessível e confiável para apoiar as atividades essenciais durante a crise da COVID-19. Entre as atividades, destacou a eletricidade para casas e hospitais e combustível que permite o deslocamento voltado para serviços essenciais.

O setor de O&G brasileiro é responsável por 10% do PIB industrial do país e, em 2019, foi responsável por 1/5 do investimento estrangeiro direto (IED), assim refletindo sua relevância para a economia brasileira [1].

Clarissa pontuou que, diante da diversa matriz energética brasileira, o país pode se portar como um líder no cenário de energia global [2]. Elizabeth Urbanas, do Departamento de Energia americano, mencionou que o US-Brazil Energy Forum espera apoiar o Brasil nessa direção, focando na cooperação e parceria entre agências para licenciamento ambiental, descomissionamento offshore e abertura do mercado de gás natural.

Dito isso, o cenário atual de redução global na demanda por energia e choque no preço do petróleo requere disciplina de capital por parte de empresas para liderar decisões de alocação de portfólio. Apesar do anúncio de postergação de investimentos, os painelistas concordam que o pré-sal permanecerá entre os ativos mais competitivos globalmente, especialmente devido à produtividade de suas reservas. Décio e Clarissa mencionam que o custo de breakeven para projetos de pré-sal já estão abaixo de USD 30/barril e que os custos de extração atingem níveis historicamente baixos em alguns campos.

 

Melhorias regulatórias e abertura do mercado de gás natural

Os painelistas sinalizaram que a atual crise requer a manutenção dos avanços regulatórios implementados nos últimos anos, enquanto, ao mesmo tempo, busca-se contínuos avanços para a promoção de um ambiente competitivo através da “simplificação de tudo que pode ser simplificado”, como maior previsibilidade no processo de licenciamento ambiental e a implementação do Novo Mercado de Gás.

Em relação ao Novo Mercado de Gás, os painelistas mencionaram sua importância para fomentar a competitividade brasileira e aumentar a competição no setor. A pauta a ser votada pela Câmera dos Deputados deve ditar as diretrizes necessárias para investimentos futuros. Clarissa pontuou algumas iniciativas positivas que já acontecem no âmbito estadual, enquanto Décio acredito que essa agenda será uma prioridade para o Congresso após o pico da crise da COVID-19.

 

A transição energética

Ao longo do debate, houve consenso sobre a trajetória da transição energética, uma vez que a sociedade continuará a demandar uma matriz energética diversificada, competitiva, confiável e sustentável. Dito isso, Clarissa salientou que a matriz energética brasileira já se baseia em 47% de renováveis [3], um nível que outros países gostariam de atingir daqui a 20-30 anos.

Energia solar, eólica e biomassa irão continuar crescendo em relevância na matriz brasileira, mas isso tende a ocorrer em concordância com o desenvolvimento de todas as fontes de energia, incluindo óleo e gás, enquanto elas se manterem competitivas nesse novo ambiente. “Quando a economia voltar a crescer, todas as fontes energéticas poderão se beneficiar do aumento da demanda de energia”, menciona Clarissa.

Por fim, Clarissa dividiu sua visão sobre os principais aprendizados obtidos durante a crise. “A vida e as pessoas vêm primeiro lugar. Vamos reaprender a valorizar a ciência. O conhecimento científico é chave para proporcionar futuros avanços tanto na pauta de desenvolvimento quanto de energia”.

 

Fontes

[1] Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis. CNI, 2017. BACEN, 2019

[2] CEBRI. “O setor energético em 2022’. 2018

[3] Energy Planning Agency – EPE. “10-year plan”, 2020