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25 de outubro de 2018

Clarissa Lins é entrevistada por Miriam Leitão sobre o futuro da energia

Sócia fundadora da Catavento discute o futuro do setor de O&G, desafios atuais e de longo prazo

Foi ao ar no dia 18 de outubro a entrevista de Clarissa Lins, sócia fundadora da Catavento, no programa da Miriam Leitão, da GloboNews. Em sua rica contribuição, Clarissa falou sobre o futuro do setor de O&G, o desafio da transição energética, o vasto potencial brasileiro e o papel das empresas de O&G para garantirmos uma matriz energética diversificada e de baixo carbono.

“Cabe ao Brasil apropriar-se dessa janela de oportunidade agora, transformando reservas em riquezas nesse horizonte temporal, antes que a demanda por petróleo comece a cair. (…) O maior desafio que o setor de óleo e gás tem hoje é mostrar o seu papel de prover energia, mas também a sua responsabilidade em encontrar soluções e meio de diversificar seu portfólio”, afirma Clarissa, que ainda defende que atualmente as fontes de energia renováveis já são competitivas. “As empresas não precisam de subsídios para tornar seus investimentos em renováveis rentáveis.”

Além de Clarissa, Miriam Leitão também entrevistou a vice presidente da Equinor no Brasil, Verônica Coelho, que falou sua visão sobre o futuro da energia e como a Equinor está se adaptando à transição energética.

Assista ao vídeo aqui.

A entrevista foi pauta da coluna de Miriam Leitão, publicada diariamente no jornal O Globo. Leia na íntegra abaixo:

Óleo: otimismo e baixo carbono

POR MÍRIAM LEITÃO – O GLOBO
19/10/2018

O petróleo será um aliado das receitas públicas no ano que vem se forem mantidos os leilões e o país conseguir realizar a concessão das áreas excedentes do pré-sal que foram descobertas pela Petrobras. Vai depender do caminho que o novo governo escolher. O setor quer ser também um aliado do combate às mudanças climáticas. As empresas já trabalham com o horizonte de que terão que emitir menos gases de efeito estufa porque essa foi a escolha do mundo no Acordo de Paris.

A empresa noruguesa Equinor, antiga Statoil, tem planos de investir no Brasil US$ 15 bilhões até 2030, e a vice-presidente Verônica Coelho me explicou, numa entrevista na Globonews, a razão dessa aposta.

— A Equinor está com 22 licenças no Brasil e participação em campos importantes, como Roncador, e já temos uma produção de 100 mil barris/dia. O Brasil está numa posição superfavorável, dado o potencial que temos na costa. Isso sem falar na parte rasa, ou onshore, que a gente nem conhece ainda. Então o potencial que se tem, principalmente na área de águas profundas é tão grande que viabiliza a produção a preços competitivos. O momento é ótimo para o Brasil. É importante capturar essa oportunidade e esse valor potencial — disse a executiva.

A consultora Clarissa Lins, da Catavento e do Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP), diz que a indústria como um todo vê esse momento também com otimismo.

— O IBP está muito otimista em relação ao nosso potencial e à nossa capacidade de responder de forma eficiente e eficaz para gerar riqueza para o país. Esse otimismo, contudo, é fruto das reformas feitas nos últimos dois anos que melhoraram o ambiente de negócios — explica.

O setor de petróleo está às voltas agora com o que define como transição energética para se adaptar às novas metas de baixa emissão.

— O grande desafio que nós temos hoje é de tornar essa produção de petróleo e gás muito mais sustentável, reduzindo as nossas próprias emissões. Acho que esse é um compromisso que eu vejo cada vez mais a indústria aderindo e trabalhando pesadamente com isso — diz Verônica Coelho, da Equinor.

Ela afirma que o setor quer ser menos poluente, fazer uma produção com um impacto menor, para atender aos compromissos que assumiu. Além disso, a própria empresa está investindo cada vez mais em energia renovável, como eólica offshore com a Petrobras. Tem trazido a competência deles nesse tipo de produção de energia para compartilhar com a estatal brasileira:

— A gente já provê energia para um milhão de famílias na Europa através da geração eólica no mar. A eficiência das turbinas é muito maior.

Clarissa Lins diz que o maior desafio é prover a energia necessária para um consumo crescente, com confiabilidade e preços razoáveis, mas emitindo menos carbono.

— O que a sociedade global e a brasileira mostraram para todos é que o mundo precisa caminhar para uma matriz energética menos intensiva em carbono. O grande desafio do setor de petróleo é fornecer a energia e ao mesmo tempo ter a responsabilidade de encontrar soluções para descarbonizar as fontes energéticas consumidas — diz Clarissa.

As petrolíferas estão em transição para serem empresas de energia em geral. A Equinor instalou em Quixeré no Ceará o seu primeiro projeto solar no mundo.

— Os investimentos em fontes renováveis fazem cada vez mais sentido econômico— explica Clarissa.

O mercado empurra o mundo para ser ambientalmente sustentável mesmo quando os governos não entendem a importância. Vários países estabeleceram data para o fim dos carros à combustão. Na Noruega, a partir de 2020 os novos carros terão que ser elétricos.

A produção do petróleo deve subir no Brasil nos próximos anos, ao mesmo tempo em que todas as empresas, inclusive a Petrobras, fazem a sua transição para produzirem energia de outras fontes. No curto prazo, os preços altos, provocados por crise geopolítica, aumentam as receitas fiscais, mas criam o desafio da definição do reajuste interno dos combustíveis. Tanto Jair Bolsonaro quanto Fernando Haddad defenderam políticas de interferência nos preços, que podem prejudicar a Petrobras. No longo prazo, mesmo se houver um retrocesso na área ambiental no Brasil, as empresas continuarão seguindo a lógica, hoje mundial e irreversível, de se tornarem mais sustentáveis.