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4 de maio de 2015

Clarissa Lins debate Energia e Clima em seminário organizado pela Ditchley Foundation

Catavento presente em Conferência Internacional na Inglaterra

Entre os dias 14 e 16 de abril de 2015, Clarissa Lins participou de seminário para convidados na instituição inglesa conhecida por promover debates de alta qualidade sobre temas relevantes da atualidade. A Conferência teve como tema central os dilemas entre Energia e Risco Climático, discutidos sobre três perspectivas:  política,  econômica e  tecnológica.

Obedecendo às regras da Chatham House (onde as opiniões dos participantes não são trazidas a público), os três dias de debate contaram com visões de representantes de diversos países (Reino Unido, Estados Unidos, Canadá, Australia, Brasil, China, Rússia, Índia, Japão), contribuindo para uma visão ampliada dos desafios sob diferentes óticas.

As conclusões da discussão serão divulgadas em breve, embora possam ficar aqui registrados alguns elementos:

1. No âmbito político, há uma divergência clara de percepção quanto à associação entre matriz energética e risco climático entre os países desenvolvidos e as economias emergentes. Enquanto o primeiro grupo dispõe de mais elementos para discutir “políticas de clima”, o segundo conjunto de países encontra-se mais disposto a definir a política energética que melhor atenderá ao seu projeto de crescimento econômico. Nesse sentido, a COP21 a realizar-se em Paris em dezembro de 2015 tem o poder de atrair as atenções de todos os atores relevantes, estimulando a sinalização de uma solução global para a questão climática

2. Do ponto de vista dos sinais econômicos, há uma convergência de opiniões quanto à importância de estabelecer-se  um preço de carbono em âmbito global, lastreado em um mercado de cap-and-trade. Isso não deve ser considerado como um impeditivo ao desenvolvimento econômico que pode dar-se em bases inovadoras a partir de um mundo com menor intensidade de carbono

3. Na frente tecnológica, a Conferência apontou para a necessidade de não se abrir mão de nenhuma tecnologia em desenvolvimento, priorizando aquelas que contribuirão de maneira mais efetiva para a descarbonização da matriz energética. A eficiência energética tem um papel fundamental na transição para uma economia de baixo carbono, assim como o gás natural e as fontes renováveis

Por fim, os participantes sinalizaram a importância de os diversos tomadores de decisão, tanto no governo quanto nas empresas, considerarem que os dilemas a serem enfrentados estão intrinsecamente relacionados. Não adianta pensar apenas em energia, ou somente nos riscos climáticos. Faz-se mister estabelecer a visão de sociedade e de economia que um país, ou uma cidade, pretende ter para, a partir daí, definir o modelo energético necessário e, por conseguinte, os impactos climáticos.