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12 de abril de 2018

Clarissa Lins modera debate com Patrick Pouyanné sobre transição energética e desafios climáticos

CEO global da Total participa de discussão com especialistas em evento moderado pela sócia fundadora da Catavento

O evento “Transição energética e desafios relacionados ao clima” foi promovido em 05 de abril de 2018 pela Total, empresa global de energia, e pelo CEBRI – Centro Brasileiro de Relações Internacionais, no âmbito de seu Núcleo de Energia, liderado por Jorge Camargo e Clarissa Lins.

O debate contou com a participação de Patrick Pouyanné – CEO global da Total, David Zylbersztajn – Sócio-Diretor da DZ Negócios com Energia – e Izabella Teixeira – senior fellow do CEBRI e ex-ministra do Meio Ambiente. Clarissa Lins, sócia fundadora da Catavento e senior fellow do CEBRI, além de moderar o debate, conduziu a abertura do evento, elencando desafios e oportunidades relevantes a serem abordados.

Patrick Pouyanné, como presidente de uma empresa global de energia, reconheceu a responsabilidade do setor de O&G em relação a emissões de gases de efeito estufa e ressaltou que o setor deve enxergar tal fato como uma oportunidade para ser parte da solução, e não apenas do problema. Assegurou, ainda, que a Total continuamente adapta sua estratégia de negócios e visão de longo prazo às tendências do mercado global e expectativas da sociedade por meio de: (i) desinvestimento de ativos de carvão, (ii) foco em gás natural, inclusive para geração de energia elétrica, e em petróleo de baixo custo e alta competitividade, como o pré-sal brasileiro, e (iii) compromisso em ter 20% do portfólio em energias de baixo carbono até 2040.

Já David Zylbersztajn ressaltou que transições energéticas fizeram parte da história da humanidade, onde a mais profunda se deu no século XX, com a transição do carvão para o petróleo. Além disso, ressaltou o papel das cidades como locus para as maiores transformações na forma como se produz e se consome energia. Por outro lado, Izabella Teixeira desafiou o setor de O&G a assumir a liderança e a buscar, por meio da cooperação, aumentar a ambição do Brasil na transição para uma economia de baixo carbono.

Segue discurso de abertura pronunciado por Clarissa Lins.

“Os últimos dados disponíveis mostram que as emissões brasileiras de gases de efeito estufa voltaram a subir em 2016, em função do aumento do desmatamento e isto representa, seguramente, um dos principais desafios da sociedade brasileira. As emissões oriundas do uso da terra respondem por 51% de nossas emissões (2016), sendo que apenas a parcela do desmatamento monta a 48%. Por outro lado, as emissões oriundas do uso da energia são puxadas aqui no Brasil pela nossa matriz de transporte (42%), ainda dependente de diesel para cumprir longas distâncias.

Se olharmos para o futuro e para as projeções usadas nas negociações de Paris, todavia, veremos que o setor de energia passará a ser a maior fonte de emissões, pressupondo sucesso no combate ao desmatamento – algo essencial para se pensar em progresso.

Neste contexto, a temática da transição energética entra na pauta brasileira do setor de energia com uma configuração peculiar. Nossa matriz energética já conta com 46% de renováveis em seu mix, graças ao papel histórico da biomassa e da geração hidrelétrica, este último que não poderá ser replicado no futuro em função de restrições socioambientais. Nosso desafio é, portanto, aumentar de maneira confiável a oferta primária de energia necessária para suportar o crescimento econômico, com base em um mix cada vez mais diversificado e com um perfil de emissões compatível com os compromissos assumidos na COP21.

O que nos move, então, a discutir tal tema?

São diversos fatores e elenco aqui apenas alguns, pois contamos com debatedores mais do que especiais para fazer desta manhã uma inesquecível troca de ideias e percepções.

– Como garantir a oferta crescente de uma energia segura, limpa e acessível, dado que ainda temos cerca de 10 milhões de pessoas vivendo sem acesso aos serviços modernos de energia e que esperamos voltar a crescer de forma consistente?

– Qual o papel a ser desempenhado pelas nossas vastas reservas de óleo e gás, que já demonstraram ser competitivas – para quem tinha dúvida, o sucesso do último leilão foi absoluto e categórico – e que devem representar cerca de 43% de nossas necessidades de energia primária daqui a 10 anos?

– Como lastrear o desenvolvimento expressivo de fontes renováveis intermitentes, como eólica e solar, cuja inserção no mix elétrico já é uma realidade?

– Qual o papel a ser desempenhado pelo gás natural nesta transição – firmar a intermitência das fontes renováveis e sazonais, por exemplo?

– Qual será o impacto das novas tecnologias nas mudanças de hábito de consumo por energia?

– De que forma conduzir um debate saudável e calcado em fatos com a sociedade brasileira sobre o futuro da energia e suas implicações para o clima?

– O que esperar de empresas globais aqui instaladas e atuantes?”

 

(Fonte image: Total / Kiko Cabral)